Eu encolho os dedos e abaixo a cabeça, reencontro três nós em teus cabelos e torno a atar as fivelas do meu casaco. Era destino, bem sabia, desde o início, porque quem é que afinal manteria as frases e falas e meiguices das promessas amorosas que enlaçam com tanto ímpeto? E aquele instinto desbravador, como ficaria se engaiolado fosse? Não era, nunca fora. Nem um segundo, nem dois milésimos, nem três pedidos de café amargo. Como renda que se faz fio por fio e não se mantém no previsto e encomendado. Não cabia, nunca coube. Sempre ultrapassara os limites, era daqueles que se nina nos braços, nos cotovelos, nos membros inteiros. Cobiçava as linhas impostas, empurrava-as e terminava com um ponto vezes três. Reticências. Por que se manter na margem, largado na grama, observando as águas, se podia nadar até o outro lado e desfrutar do desconhecido? Não havia, nunca houve, motivo capaz de retê-lo. Nem amor nem dor, ou qualquer outra rima já feita. Não cabia, por céus, em estrofe métrica! E eu? Na contramão. Com os pés fincados. Com o pensamento preso. Eu queria uma certeza bamba, tonta de tanto ser repetida, decorada e de cor na cabeça, “para sempre”. Mas eu não era. Não em par. Não com aquele par de olhos que mais parecem labirintos. Voltas, revoltas, trevoltas e ressacas sempre me tonteiam. Com tanto avesso e placas contrárias, como seguiríamos na mesma estrada? Era sabido o desenlace. Sabido e não-querido. Sabido e inevitável. Porque os fios da renda infinita, em minhas mãos, aos pouco seriam puídos.
(Fuente: ocaosdoseio)



